Pacificação da Rocinha começou há dez dias por ação do BOPE em Macaé
Marino Azevedo / Imprensa Rio
Preocupação é que membros da facção fujam para o município
A pacificação da comunidade da Rocinha teve início há dez dias, quando o BOPE iniciou uma operação na comunidade das Malvinas, em Macaé. De acordo com o superintendente da Polícia Federal, Valmir Lemos, e o comandante do Estado Maior da PM do Rio, coronel Alberto Pinheiro Neto, a ocupação só foi possível após a quebra da conexão entre Rocinha e Macaé.
A virada começou um ano antes, bem longe dali, em algum barraco na Favela das Malvinas, em Macaé, onde Roupinol aprendeu a refinar cocaína. No ano de 2006 ele faturou R$ 1 milhão, em 2007, após ter a refinaria estourada, refugiou-se no Morro do São Carlos, na zona norte carioca, dominada pela facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), a mesma que controlava a Rocinha.
No São Carlos, a técnica de Roupinol encantou os chefões, que logo o enviaram para a Rocinha. Sua missão era turbinar os ganhos na "joia da coroa" do tráfico. Em agosto de 2007, a polícia estourou a primeira refinaria na Rocinha e prendeu Leonardo Assunção, de 27 anos, o Português ou Químico, um dos responsáveis pela produção. Era tarde. Naquele momento, a Rocinha já contava no mínimo com três outras refinarias em funcionamento nas localidades da Cachopa, do Terreirão e na Rua 2, conforme denúncias feitas pelo Ministério Público em novembro do ano passado.
O pagamento de bons salários, aliás, é característica do tráfico da Rocinha. Enquanto em outras favelas os jovens ganham no máximo R$ 50 por semana para embalar maconha e cocaína, a Rocinha paga R$ 200 aos "endoladores", geralmente homens desempregados arregimentados por Renato Sabino Gonçalves, o Pará, conforme consta em inquérito da 15.ª DP (Gávea). Na refinaria, os salários são mais altos e chegavam a R$ 1.500 por semana para as 15 pessoas, cuja produção por quinzena poderia render 250 quilos de cocaína.

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